🧘♀️ Na minha recente viagem a Coreia do Sul vivi uma das experiências mais desafiantes e transformadoras da minha vida.
Passei alguns dias no Golgulsa Temple, um templo budista. Um lugar onde o silêncio fala mais alto do que qualquer reunião, onde o telemóvel perde importância e onde somos confrontados connosco próprios.
Um dos momentos mais marcantes foi realizar as 108 prostrações. No budismo, o número 108 resulta de 36 estados mentais multiplicados pelos três tempos da vida: passado, presente e futuro. Cada prostração simboliza a libertação de um desses obstáculos à serenidade.
À primeira vista, parece apenas um exercício físico. Ajoelhar, baixar a cabeça, elevar as mãos as orelhas, levantar. Repetir. 108 vezes.
Mas rapidamente percebi que não era sobre o corpo.
Era sobre a mente.
A cada prostração somos convidados a largar um apego, um ego, uma preocupação, uma distração, uma desculpa que carregamos connosco.
Confesso que, ao início, a minha mente comportou-se exatamente como faz quando enfrentamos algo difícil na vida:
“Talvez faça mais devagar.”
“Será que preciso mesmo de fazer as 108?”
“Quanto falta?”
“Porque é que estou aqui?”
Curiosamente, são as mesmas vozes que surgem quando queremos mudar de carreira, começar a investir, criar um negócio, aprender uma nova competência ou perseguir um sonho.
Não é a falta de capacidade que nos trava.
É a resistência mental.
Ao chegar à prostração número 108, percebi que o verdadeiro desafio nunca tinha sido completar o exercício.
Era continuar quando a mente procurava razões para desistir.
Num mundo que nos ensina a correr cada vez mais depressa, talvez precisemos de parar mais vezes.
Parar para ouvir.
Parar para refletir.
Parar para perceber que muitas das barreiras que encontramos não estão à nossa frente.
Estão dentro de nós.
E, tal como numa prostração, ultrapassam-se uma de cada vez.
📚✨🌟 A Vida Não Pode Esperar 🌟✨📚
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